O Paradoxo do São João: cidades da Paraiba no Radar do Tribunal de Contas do Estado

Cabedelo quase empata com Campina Grande em gastos juninos e Santa Rita e xx disparam e chamam atenção do TCE

​Um levantamento recente do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) acendeu o debate sobre a eficiência dos gastos públicos com festejos juninos.

Os dados revelam um cenário curioso: entre 2023 e 2025, o município de Cabedelo empenhou valores praticamente idênticos aos de Campina Grande para a realização de suas festas de São João. 

Em 2025, por exemplo, a diferença entre os investimentos das duas prefeituras foi mínima, com ambas destinando cerca de R$ 2,3 milhões de seus cofres diretos para as festividades, apesar da disparidade abismal entre o tamanho das populações e a duração dos eventos.

​A explicação para essa equivalência numérica, que à primeira vista parece um erro de digitação, reside no modelo de gestão de "O Maior São João do Mundo". 

Enquanto Campina Grande utiliza o sistema de Parceria Público-Privada (PPP), onde a maior fatia dos custos com megaestruturas e cachês astronômicos é absorvida por patrocinadores e empresas concessionárias, Cabedelo assume uma responsabilidade financeira direta muito maior proporcionalmente, na prática, isso significa que, embora a festa no Parque do Povo movimente dezenas de milhões, o peso para o tesouro municipal de Campina acaba sendo similar ao de cidades de médio porte que gerem seus próprios eventos de forma tradicional.

​No entanto, o relatório do TCE-PB, que aponta um crescimento de 80% nos gastos com festas em todo o estado nos últimos dois anos, serve como um alerta para o "gasto per capita". 

Ao dividir o investimento pelo número de habitantes, o custo do São João para cada cidadão de Cabedelo torna-se significativamente mais elevado do que para o morador de Campina Grande. 

O órgão fiscalizador destaca que, embora a cultura seja um investimento legítimo, o equilíbrio com áreas prioritárias como saúde e educação deve ser a bússola para evitar que o brilho das fogueiras mascare fragilidades na gestão dos recursos públicos e os levem para "pão e circo".

Redação Cabedelo na Rede/TV Periferia Cabedelo

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